Dominica vende o passaporte forte mais barato do mercado, e a manchete de US$ 200.000 é verdadeira. Só que a manchete é a linha mais barata do orçamento, não o preço do produto. O número que deveria comandar uma decisão de seis dígitos é o custo total único até a cidadania: cerca de US$ 210.750 para um requerente individual na rota de doação, antes dos honorários do agente, e algo entre US$ 215.000 e US$ 230.000 com tudo dentro. Este guia faz essa conta linha a linha, e faz também a calibragem que quase nenhum vendedor faz para o público brasileiro: o seu passaporte já dispensa visto para o espaço Schengen, exatamente o principal argumento de venda dos passaportes caribenhos. Para um brasileiro, Dominica quase nunca é uma compra de mobilidade. É um plano B jurídico: uma segunda nacionalidade vitalícia e hereditária, obtida em meses, num programa que roda desde 1993, com neutralidade fiscal para não residentes.
2026, porém, é um ano de transição para o programa, e uma página honesta abre por aí. Em 10 de junho de 2026 o governo anunciou que novos cidadãos terão de ir a Dominica retirar e renovar o passaporte, encerrando o modelo 100% remoto. E a Comissão Europeia declarou, em dezembro de 2025, que operar um programa de cidadania para investidores é, por si só, fundamento para suspender o acesso sem visto ao Schengen. O produto continua bom; ele apenas não é mais o produto do folheto de 2020.
O que US$ 200.000 compram de verdade
O programa opera sob as Citizenship by Investment Regulations 2024 e concede cidadania direta na aprovação: sem residência prévia, sem prova de idioma, sem prazo de naturalização. A cidadania vale por toda a vida, admite dupla nacionalidade sem restrição e passa aos descendentes, incluindo filhos nascidos depois da naturalização. O dossiê familiar pode incluir cônjuge, filhos dependentes e pais ou avós que dependam do titular, com faixas de idade e dependência apertadas na reforma de 2024; confirme os cortes exatos com um agente licenciado antes de montar o pedido.
Existem exatamente duas rotas qualificadas, e a distinção entre elas é a decisão mais importante antes de transferir qualquer valor:
| Rota | Valor | O ponto que importa |
|---|---|---|
| Doação ao EDF, individual | US$ 200.000 | Capital gasto, sem retorno. A rota mais barata e mais simples |
| Doação ao EDF, família de até 4 | US$ 250.000 | Acréscimos de US$ 25.000 (menor de 18) e US$ 40.000 (18+) por dependente extra |
| Imóvel aprovado (cotas de resort/hotel) | US$ 200.000 | Pode ser vendido após a carência de 3 a 5 anos; preço, custos e liquidez não são garantidos. Soma taxa governamental extra de US$ 75.000 (individual) ou US$ 100.000 (família de 4) |
A comparação honesta: a doação é dinheiro que você nunca mais vê; o imóvel pode gerar receita de venda depois da carência, mas o valor depende do projeto, do mercado, das comissões e da liquidez. A taxa extra de US$ 75.000 a US$ 100.000 fecha boa parte da vantagem, e Civita não presume recuperação do preço de compra no modelo de entrada. Para a maioria dos compradores, a doação vence. Quem cita US$ 100.000 para Dominica trabalha com preços que morreram quando o piso regional caribenho entrou em vigor em meados de 2024.
O custo total, linha a linha
As taxas por pessoa valem para as duas rotas: due diligence de US$ 7.500 para o titular e US$ 4.000 por dependente com 16 anos ou mais (menores de 16 em geral isentos), processamento de US$ 1.000 por pedido, entrevista de US$ 1.000 por requerente 16+, certificado de naturalização de US$ 500 por pessoa e passaporte de US$ 250 por pessoa.
| Componente | Individual (EDF) | Família de 4 (EDF) |
|---|---|---|
| Doação | US$ 200.000 | US$ 250.000 |
| Due diligence | US$ 7.500 | ~US$ 11.500 |
| Processamento | US$ 1.000 | US$ 1.000 |
| Entrevista (16+) | US$ 1.000 | US$ 1.000+ |
| Certificado + passaporte | US$ 750 | ~US$ 3.000 |
| Total antes de honorários | ~US$ 210.750 | ~US$ 265.500 |
Na rota imobiliária, os mesmos itens mais a taxa governamental extra levam o total a cerca de US$ 285.750 (individual) ou US$ 315.500 (família de 4). Uma venda só pode ocorrer após a carência e o resultado líquido depende do projeto, do mercado, das comissões e da liquidez; o modelo não desconta essa saída futura. Fora de todas essas contas ficam os honorários do agente licenciado, obrigatório para protocolar, mais banco, cartório e tradução, que variam por prestador. É por isso que o planejamento realista do requerente individual fica entre US$ 215.000 e US$ 230.000.
Repare no desenho familiar: a família de 4 em Dominica custa US$ 250.000 de doação, enquanto Antígua e Barbuda cobre 4 pessoas por US$ 230.000 e Santa Lúcia por US$ 240.000. Dominica é a melhor conta do Caribe para o requerente individual; a partir de 4 pessoas, o pódio muda.
Prazos honestos: 9,3 meses medidos, não 3 a 4
A unidade de cidadania divulga aprovação em cerca de 3 a 4 meses. Trate como propaganda de processamento, não como a experiência típica: casos medidos no fim de 2025 tiveram média de 9,3 meses, com faixa de aproximadamente 4 a 18, e o caminho completo do protocolo ao passaporte em mãos roda em 6 a 12 meses ou mais. Dois amortecedores protegem o requerente: o grosso do investimento em geral só é exigido após a aprovação em princípio, e o pedido corre por agente autorizado, com entrevista obrigatória para todos com 16 anos ou mais. A aprovação não é automática: o relatório da Comissão Europeia registrou taxa de rejeição de cerca de 6,5% em 2024, e a fonte lícita dos recursos, documentada de ponta a ponta, importa mais do que o tamanho do cheque. Em 2023, o país revogou a cidadania de cerca de 260 pessoas por informações falsas no pedido; o dossiê é o produto.
Um passaporte forte, descrito em termos atuais
No Henley Passport Index 2026, Dominica ocupa o 29º lugar, com cerca de 145 destinos sem visto ou com visto na chegada, incluindo o espaço Schengen (90 dias a cada 180) e a China. O resto exige honestidade:
Reino Unido: perdido. Em julho de 2023, Londres impôs visto a nacionais de Dominica citando expressamente o programa de CBI. O acesso não voltou.
Estados Unidos: restringido. A Proclamação 10998, em vigor desde 1º de janeiro de 2026, suspendeu parcialmente a emissão de vistos americanos para nacionais de Dominica (B-1/B-2, F, M, J e vistos de imigrante), com isenções para vistos já válidos, residentes permanentes e dupla nacionais. Dominica nunca teve isenção de visto americano; agora até obter o visto ficou mais difícil, para quem viaja como dominiquês.
Europa: sob pressão. O mecanismo reformado de suspensão de vistos da UE trata a operação de um programa de cidadania para investidores como fundamento, por si só, de suspensão do acesso Schengen, e o ETIAS deve estrear como camada de pré-autorização por volta do fim de 2026.
Para o brasileiro, essa aritmética pesa menos do que parece: você continua viajando com o passaporte brasileiro, que já cobre Schengen e Reino Unido, e pede visto americano como brasileiro. O que você compra em Dominica não é mapa de vistos; é a opcionalidade de uma segunda nacionalidade. Mas o risco europeu importa mesmo assim, porque é ele que sustenta o valor de revenda reputacional do programa inteiro.
A mudança de 10 de junho de 2026
O primeiro-ministro Roosevelt Skerrit anunciou que novos cidadãos deverão comparecer a Dominica para retirar e renovar o passaporte, construindo o que o governo chama de vínculo genuíno. Até o fim de junho de 2026 a regra estava anunciada, não promulgada, com o detalhe operacional prometido para o orçamento nacional, e a expectativa é de que pedidos já protocolados sigam as regras antigas. O conselho prático: orce ao menos uma viagem curta ao Caribe como o novo normal e confirme o estágio da regra com o agente no momento do protocolo.
Imposto: neutralidade, não milagre
Dominica não tributa renda mundial, ganho de capital, doações, patrimônio ou herança de quem não é residente fiscal lá, e a cidadania, sozinha, não cria residência fiscal, que em geral exige cerca de 183 dias por ano na ilha. Para o brasileiro, isso significa que o passaporte não muda nada na sua relação com a Receita Federal: sua tributação continua regida pela sua residência fiscal. Dominica participa do CRS e mantém acordo FATCA com os Estados Unidos, então o documento também não é ferramenta de sigilo. O lado dominiquês é neutro; qualquer estratégia de verdade passa por mudar residência fiscal, decisão que merece assessoria qualificada nas duas pontas.
A leitura honesta
O que sustenta a compra: o menor custo total do Caribe para requerente individual, três décadas de histórico, cidadania direta, vitalícia e hereditária, processo remoto (por ora), neutralidade fiscal e um documento com Schengen e China no mapa.
O que pesa contra: Reino Unido perdido, vistos americanos restringidos desde janeiro de 2026, acesso europeu sob mecanismo explícito de suspensão, a visita presencial chegando e um programa que mudou de regras repetidamente entre 2024 e 2026. Quem compra Dominica por mobilidade europeia está comprando um benefício sob pressão ativa; quem compra um plano B hereditário ao menor custo defensável encontra números que ainda fecham.
Antes de decidir pelo preço, leia como funciona a cidadania por investimento e o ranking pelo custo total; a página completa do programa, em inglês e com data de verificação à vista, está em citizenships.io. A Civita é uma assessoria independente, remunerada exclusivamente pelo conselho: não recebemos comissão de nenhum programa, agente ou incorporadora. Um Relatório de Adequação roda essa matemática para o seu perfil e a sua família, com custo total e riscos modelados, e diz também o que descartar.