A Grécia fez o que Portugal e Espanha não fizeram: em vez de tirar o imóvel da mesa ou fechar o programa, reprecificou e continuou vendendo. O golden visa grego segue aberto em 2026, ainda ancorado em propriedade, e segue entre os caminhos mais rápidos para uma residência europeia. Para o investidor brasileiro, porém, a pergunta certa não é se a Grécia serve. É se a Grécia serve melhor que Portugal, porque o brasileiro é o único grande comprador do mercado que carrega um atalho estrutural no programa vizinho: a regra CPLP de 7 anos até a cidadania portuguesa. Este guia faz as duas contas, com os números verificados da nossa página completa da Grécia.
Os três preços de 2026: o endereço decide o valor
A reforma de 2024 substituiu o antigo preço único por um sistema de três faixas, definido pela geografia:
| Faixa | Valor | Onde vale |
|---|---|---|
| Zona de alta demanda | €800.000 | Ática (grande Atenas), unidade regional de Salônica, Mykonos, Santorini e ilhas com mais de 3.100 habitantes |
| Resto do país | €400.000 | Todas as demais regiões e ilhas menores |
| Conversão ou restauro | €250.000 | Conversão de imóvel comercial em residencial, ou restauro de imóvel histórico tombado, em qualquer lugar da Grécia |
Nas faixas de €800.000 e €400.000, a compra deve ser de um único imóvel com ao menos 120 m² de área de uso principal. Garagens, depósitos e outras áreas auxiliares não completam a metragem. Essa regra não se aplica às rotas separadas de conversão e restauro de €250.000. O número de €250.000 que construiu a fama do programa ainda existe, mas hoje compra um projeto de obra, não um apartamento pronto em bairro nobre.
O que a Grécia entrega melhor que quase todo mundo
O produto real do programa não é o imóvel, é o pacote que vem com ele. Zero dias de permanência mínima para manter e renovar a autorização, a exigência mais leve da Europa. Acesso Schengen completo para a família. Cobertura familiar rara, que alcança os pais dos dois cônjuges no mesmo processo. O prazo depende da compra, do escritório de protocolo e da disponibilidade para biometria; o Ministério não publica um padrão atual de ponta a ponta.
Compare com a fila portuguesa: em Portugal, da submissão ao primeiro cartão de residência, a estimativa honesta é de 24 a 42 meses. Quem precisa de uma base europeia operacional dentro de um ano não tem hoje, na Europa, alternativa séria mais rápida que a grega. Um ajuste recente joga a favor do investidor: desde a Lei 5275/2026, a validade da autorização de 5 anos conta a partir da emissão do cartão, e não mais retroage à data do pedido, uma correção pensada para a fila de cerca de 49.000 processos acumulados.
A proibição do Airbnb muda a conta do imóvel
A mesma reforma que criou as três faixas proibiu o aluguel de curta temporada em imóvel de golden visa. A velha tese do investidor, comprar um apartamento em Atenas e pagar os custos com diárias, virou infração: multa de €50.000 e perda da autorização. O aluguel de longo prazo, em geral de 60 dias ou mais, continua permitido, mas o rendimento é outro, e qualquer corretor que apresente projeção de diárias está vendendo um problema de compliance.
Há ainda o custo de fricção que a tabela de preços não mostra. Sobre uma compra de €400.000, o imposto de transmissão de 3,09%, honorários jurídicos, cartório, registro, taxas do programa e cinco anos de seguro saúde obrigatório somam algo entre €30.000 e €32.000 não recuperáveis para um requerente único, acima do imóvel que fica no seu patrimônio. Trate o imóvel como o meio, não como o ativo: o retorno deste investimento é a residência e o estilo de vida, não ganho de capital rápido sobre uma unidade com aluguel restrito.
Cidadania: os 7 anos gregos não são os 7 anos portugueses
Aqui está a variável que decide a comparação para o brasileiro. Na Grécia, a naturalização pode ser solicitada após 7 anos de residência legal contínua, mas exige o certificado oficial de conhecimentos e prova de integração econômica e social. Manter o visto sem viver de verdade na Grécia não equivale a cumprir essas condições. Não existe caminho rápido, e não existe nenhuma vantagem específica para brasileiros.
Em Portugal, a fotografia é oposta. A regra CPLP preserva para o brasileiro um caminho de 7 anos de residência legal até a naturalização, contados da emissão do primeiro cartão, mantendo presença média de cerca de 7 dias por ano, com exame de português A2 que para um brasileiro é formalidade. Os detalhes, incluindo as filas da AIMA e a briga judicial de 2026, estão no nosso guia do Golden Visa português para brasileiros.
A regra de bolso que usamos: se o objetivo final é o passaporte europeu sem se mudar, a Grécia não entrega e Portugal entrega. Se o objetivo é uma base europeia utilizável em meses, com opcionalidade e sem compromisso de mudança, a Grécia vence no prazo, e a cidadania simplesmente não deve entrar na conta.
Impostos: o que o visto faz e o que não faz
A autorização de residência grega, sozinha, não torna ninguém residente fiscal na Grécia. A residência fiscal é acionada em separado, em regra por mais de 183 dias por ano no país ou pelo centro de interesses vitais. Quem mantém o visto morando no Brasil segue tributado como residente brasileiro, e nada muda no fisco grego além da renda de fonte local, como aluguel.
Para quem se muda de verdade, existe o regime non-dom opcional: imposto fixo de €100.000 por ano sobre toda a renda de fonte estrangeira, por até 15 anos, com €20.000 por familiar adicional. O regime exige não ter sido residente fiscal grego em 7 dos 8 anos anteriores e um investimento de ao menos €500.000 no país em até 3 anos. Aposentados estrangeiros têm um regime próprio, com alíquota de 7% sobre renda estrangeira. Se algum desses regimes compensa, e como conversa com a sua situação tributária brasileira, é pergunta para assessoria especializada nas duas pontas, não para um guia.
A leitura honesta para o investidor brasileiro
O que sustenta a decisão: zero dias de permanência para renovação, Schengen para a família com os pais dos dois lados incluídos, e um programa que reformou em vez de fechar.
O que pesa contra: a era do apartamento pronto por €250.000 acabou, o Airbnb está proibido com multa pesada, o imóvel vira custo de carregamento em vez de ativo de renda, e a cidadania exige residência contínua, o certificado oficial de conhecimentos e integração real. Quem compra a Grécia achando que compra um passaporte compra o produto errado.
Para a maioria dos perfis brasileiros, a decisão se resolve em uma linha: passaporte, Portugal; base rápida, Grécia. E se a prioridade for um segundo passaporte em meses, não anos, a comparação certa muda de continente: veja o que é cidadania por investimento.
A Civita é uma assessoria independente, remunerada exclusivamente pelo conselho: não recebemos comissão de nenhum programa, fundo ou incorporadora. Um Relatório de Adequação roda Grécia, Portugal e as alternativas contra o seu perfil, orçamento e família, com custo total e saída modelados, e diz também o que descartar.